Transformação Digital: 5 coisas que não te contaram sobre o futuro do setor automotivo

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Quando alguém fala em transformação digital o que vêm à sua cabeça? Veículos autônomos em autoestradas, queda no número de proprietários de carros e robôs tomando o seu emprego? Ou uma grande oportunidade de negócios para a sua concessionária ou montadora?

A aura de mistério que cerca a transformação digital e gera tanto medo ocorre, em parte, porque nós estamos dentro dela. E ainda não conseguimos enxergá-la sob o olhar de distanciamento e segurança da história.

Mas quem entendeu o verdadeiro significado da transformação digital já consegue ver o grande potencial que ela traz para a indústria automotiva. Ou, aliás, para a indústria da mobilidade — como Bosch e Ford já se autodenominam.

Ambas usam a transformação digital para criar um novo modelo de negócios: o de mobilidade como serviço, que explicarei mais à frente. Vamos primeiro conversar sobre uma questão fundamental.

O que é essa tal transformação digital?

Transformação digital é utilizar o potencial das tecnologias digital para alcançar o aumento da produtividade, competitividade e alcance do negócio.

O que está acontecendo hoje? O digital está impactando os negócios de tal forma que mesmo os setores mais tradicionais, como o automotivo, estão sendo obrigados a mudar.

Isso porque, no bojo das novas tecnologias, vieram também as mudanças no consumo das velhas e novas gerações. Eles pesquisam mais, são mais exigentes, conscientes ambientalmente e compartilham mais.

Por isso, ações de marketing tradicionais ou mesmo ações digitais isoladas não bastam. A tecnologia precisa chegar ao status estratégico e gerencial da sua empresa.

Isso significa usar novas tecnologias, sistemas de informação e análise de dados para entender as novas necessidades de consumo.

A chave é encontrar as áreas em que você pode alavancar o seu negócio e se tornar um pioneiro digital em vez de só reagir (ou pior, resistir) às mudanças.

O melhor de tudo: você nem precisa começar esse trabalho. Já existe uma semente da transformação digital dentro do setor automotivo.

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Como a transformação digital impacta a indústria automotiva?

A tecnologia sempre foi uma aliada do setor automotivo, desde o início da produção industrial. Mas, agora, a conversa vai além disso.

Dentro do setor automotivo, a transformação digital se traduz em experiência do cliente e revolução da cadeia produtiva. Ambos mudam o foco do produto tradicional — o carro — para a oferta de serviços e tecnologias de última geração.

Um estudo de 2017 da consultoria Frost&Sullivan aponta pelo menos cinco caminhos para a transformação digital dentro do setor automotivo.

 

1. Cadeia de suprimentos conectada

A tecnologia ajuda na comunicação e orquestramento entre as OEM’s e os seus fornecedores, melhorando as margens de operação. Uma cadeia interligada consegue ter estoques conectados, facilitando o gerenciamento e monitoramento das partes na linha de produção.

Um estudo  Accenture indica que, ao modificarem seus ecossistemas produtivos utilizando a tecnologia, OEMs podem aumentar o faturamento em 6,5% até 2020.

Tudo isso depende, claro, de transparência, comunicação, colaboração, flexibilidade e responsividade de toda a cadeia automotiva de suprimentos.

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2. Indústria 4.0

A combinação entre mente e máquina chega ao seu auge aqui. A internet industrial das coisas (IIoT) e a análise de dados também digitalizam a fabricação e promovem a personalização e eficiência de produção na indústria 4.0.

Séries de dados, cibersegurança, inteligência artificial, big data, realidade aumentada e machine learning são utilizados para melhorar a tomada de decisão e eficiência dos custos. É a marcha para a produção de carros autônomos, por exemplo.

3. Carros autônomos e elétricos

A direção segura e a comodidade não são os únicos benefícios do carro autônomo.

Esses novos veículos geram uma grande quantidade de dados em tempo real que podem ajudar a entender melhor o consumidor, a transformar o carro em uma central de serviços e até mesmo gerar uma nova fonte de receita para o setor através da comercialização de dados.

Empresas podem usar sistemas de big data para identificar problemas reais dos veículos, fazer diagnóstico remoto, agendar serviços, esclarecer dúvidas ou monitorar a vida do automóvel.

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4. Varejo online

De longe, a tendência que causa mais temor para concessionárias. 

A internet propicia a aproximação do varejo online. Há uma tendência que avança para a comercialização de veículos apenas pela internet, a exemplo do que a Tesla já faz nos Estados Unidos e a Amazon na Europa.

No Brasil, embora tenhamos a Lei Ferrari que limite a venda direta entre montadora e consumidor, a transformação digital provoca uma reavaliação e reposicionamento dos concessionários dentro da cadeia. 

De acordo com o estudo da Frost&Sullivan, embora essa mudança não aconteça de imediato, é preciso começar a pensá-la.

Como importantes influenciadores da jornada de compra de carros, as concessionárias podem se posicionar frente à experiência do cliente na internet.

Showroons virtuais, vendas de peças e serviços pela internet são fortes demandas que podem ser atendidas por esses players. Uma forma de preparar a concessionária para essas demandas é adotar plataformas digitais, como a AutoForce.

5. Mobilidade como serviço

Uber, Cabify, 99pop, eHailing (compartilhamento de bicicletas) são alguns exemplos de empresas que implodiram a nossa visão de mobilidade nos últimos anos. O transporte fica cada vez mais compartilhado.

A ideia de mobilidade como serviço (MaaS) é um pilar-chave da transformação digital na indústria automotiva. Isso muda, inclusive, as relações das montadoras com o mercado. Um exemplo é o crescimento das vendas diretas para locadoras, frotistas e prestadores de serviço compartilhado: 11 dos 16 maiores mercados da Europa já tem 50% das vendas destinadas para esses setores.

Isso sem falar nos serviços de car sharing que algumas marcas já possuem em outros países, como BMW e Chevrolet. Essas inovações complementam a mobilidade entre os transporte público e a propriedade privada de veículos, criando oportunidades para o setor automotivo.

 

Você pode pensar, aliviado: “Ah, tudo isso está bem longe!”

Não, as mudanças estão acontecendo agora. Vou dar dois exemplos que já estão acontecendo para você ter uma ideia:

1. O treinamento virtual

A Renault do Brasil está utilizando a realidade aumentada dentro do processo produtivo do complexo Ayrton Senna. Por meio do sistema HTC vive, colaboradores da área de carroceria recebem treinamento em realidade virtual em três dimensões.

O sistema simula o ambiente de trabalho e os processos da linha de transmissão, como você pode ver neste vídeo.

2. A concessionária que abriu mão da visita

Nos Estados Unidos, a concessionária Paragon Honda está utilizando dados, marketing digital e medição para divulgar o seu serviço de manutenção 24 horas. Para isso, abriu mão da visita.

Eles desenvolveram um aplicativo que permite aos clientes solicitarem que o veículo seja pego, consertado e devolvido à casa do cliente em 24h. Isso tudo sem que ele precise ir à concessionária. Você pode ver mais sobre o case neste link.

Além disso, a concessionária também é uma das primeiras a criar um aplicativo para o Google Assistente. Em breve, os clientes poderão programar serviços — como manutenção de rotina, trocas de óleo — utilizando somente a sua voz.

Você vai conseguir fugir da transformação digital?

Não. E, neste caso, o seu negócio pode ter um prazo de validade (não me arrisco a estabelecer uma data, mas ela existe).

A boa notícia é que o setor automotivo está ciente da necessidade da transformação digital. Segundo um estudo da Management Consulting Group feito em 2016, somente 8% das empresas do setor automotivo informaram que não pretendem readequar o seu negócio às novas tecnologias. 49% dos entrevistados investiriam tudo o que fosse necessário para manter-se na pole position das vendas.

Ninguém está dizendo que implantar a transformação digital ocorre da noite para o dia. É preciso planejamento, desenvolvendo uma estratégia digital adaptada às características únicas do negócio.

Comece construindo QI digital da sua empresa. Cerque-se de parceiros que possam ajudar sua concessionária ou montadora a reinventar-se para a transformação digital.

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